quarta-feira, 13 de abril de 2011

Páscoa, seus ovos e o consumidor omisso

Alguém já parou para se perguntar o porquê de darmos ovos de chocolate na Páscoa para nossos amigos, filhos, parentes?

O costume remonta ao símbolismo religioso da data, que significa o renascimento para os cristãos, devido à ressurreição de Jesus Cristo, o renascimento, simbolizado pelo ovo.

Em minha infância, era costume dar aos pares, cascas de ovos recheadas com amendoins doces, feitos em casa mesmo, pintados a mão. Simbolizavam tanto (ou mais até) a questão do renascimento, da vitória da vida sobre a morte.

Neste mesmo intuito, pintavam-se ovos cozidos, que eram ingeridos durante as refeições, até com algumas brincadeiras do tipo "eu bato no seu ovo e o que quebrar paga uma prenda". Coisa de criança, de família, de união, de cristianismo.

Hoje, vivemos um tempo em que pouco se pensa na questão religiosa da páscoa, seu significado e a importância desta data. Se nós já não damos esta significância, o que dizer então dos empresários do ramo chocolateiro? Onde está o sentido da coisa? Os valores ficaram tão obsoletos e vis assim?

Todas estas questões são resolvidas "dando" um chocolatinho ao amigo, ao filho, aos parentes? Não é uma questão de ser beato ou corola, de não querer que haja o consumo de ovos de páscoa, mas que as empresas deixem de explorar o consumidor. É, explorar no sentido mais vil da palavra.

Páscoa passou a ser um Natal. Presentes a todos, novo endividamento (se é que o das férias já foi pago), e chocolate, muito chocolate, para minimizar a consciência, porque, além de adoçar a vida, altera o nível de serotonina no organismo, o que dá uma sensação de elforia.

Uma pesquisa rápida no Bondfaro mostrou, na mesma loja (americanas.com) um ovo de páscoa nº21 (500g) da qualidade Alpino por R$ 44,90 e uma caixa, com 12 tabletes de 170g (2,040Kg) do mesmo chocolate, por R$ 69,90.

Se a questão é o chocolate pelo chocolate, compremos, então, as barras. O formato de ovo, sem a significância que deve ter, sem o reconhecimento da coisa como deve ser, não tem sentido.

Neste ritmo - podem alguns céticos rir - ano que vem estará sendo cobrado (pelo mesmo produto), coisa de R$ 100,00, se não mais.

Então, deixemos de ser omissos neste processo e mobilizemo-nos a fim de impor um limite nesta ganância, que afeta empresários e atinge a economia nacional. Não que lucro seja ruim, é o pagamento por um serviço executado, além dos custos e despesas pertinentes ao processo, é a remuneração do empresário frente o risco que corre mas, do jeito que está, machuca.

Pense bem. Economize. Gaste com coisas que realmente possuam significância para você, pois, hoje em dia, não necessariamente a Páscoa possui o mesmo significado de outros tempos. E, se ainda possui para a sua família, viva a páscoa em grupo, em harmonia, em união, que é o que os tempos atuais estão pedindo.

Saudações.

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